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Doce, mas, oh, tão cruel...
Foi dito uma vez que apenas frente ao horror os humanos encontram seu eu mais nobre. Quanto mais insano e monstruoso o vilão, mais nobre e determinado o herói. Ou morto. Morto também acontece. De qualquer forma, inimigos especialmente desnaturados tendem a provocar reações viscerais nos leitores de uma revista ou expectadores de um filme, que subitamente passam a enxergar o mais imprestável e inútil dos mocinhos como a última esperança de qualquer que seja a classe oprimida em questão. Assim, apesar dos pesares, é de se imaginar que com os mutantes a situação não seja muito diferente.
A galeria de inimigos dos X-Men é ao mesmo tempo ampla e superficial. Os grandes algozes são praticamente (ou literalmente!) imortais, mas os malfeitores do cotidiano, aqueles que têm árduo trabalho de preencher as edições entre a "morte" (provavelmente o termo mais leviano utilizado nas HQs) e a "ressurreição" (idem) dos vilões importantes, são esquecidos mais rápido que as fórmulas de derivada em dia de prova de Cálculo. O fato de todas as adaptações cinematográficas mutantes utilizarem sempre o mesmo vilão (advinha quem...) não coopera muito também.
Quem se lembra de atrocidades como Children of the Vault? Ou o Clã Akkaba?! Hells Belles?!? Neo?!?! Neyaphen?!?!? Não? Pois é, a coisa é feia assim mesmo. Se nem mesmo o poderoso Google foi capaz de desenterrar o nome em português destas tragédias, definitivamente o XMS não vai se preocupar com o paradeiro destas criaturas desafortunadas. Assim vamos para o outro lado da moeda, os ícones da malvadeza personificada, inesquecíveis apesar de décadas e décadas de cronologia esquizofrênica e total desrespeito (ou ausência completa de talento) de um ou outro roteirista de passagem pelos títulos mutantes.
Ao contrário do defensor supremo da Mutanticidade (alguma dúvida de quem seja?), estes são personagens realmente macabros e degenerados. Do tipo cuja simples existência causa derrames nos Ursinhos Carinhosos e terçol no Pequeno Pônei. Palavras não são suficientes para descrever o estado de espírito aterrorizante induzido por estes seres depravados, então vamos aos profiles, como sempre.
Arcade
Para evitar desmaios prematuros, começaremos com alguém sem poderes sobrenaturais. Um vilão "emprestado" do Quarteto Fantástico, mas que bagunçou o suficiente a vida dos X-Men, especialmente na década de 80, o nome, estado civil e time do coração de Arcade continuam envoltos em mistério. Tudo o que se sabe é que Arcade é uma combinação de assassino de aluguel inescrupuloso e gênio do mal (a.k.a. pessoa com permissão do roteirista para inventar qualquer aparato pseudo-cientifico maléfico que desafia totalmente o senso comum). Ah sim, e completamente pirado.
O modus operandi deste indivíduo tão encantador é construir uma série de dispositivos e armadilhas em formato de parque de diversões e entreter suas vítimas em uma espécie de reallity show infernal. Inicialmente, havia um Recurso especial chamado Murderworld, o playground preferido de Arcade, e uma carta era capaz de procurar pela outra no deck. Vários ajustes depois, curiosamente foi mais fácil amassar duas cartas complicadas em uma simples. No fim das contas, lance uma moeda e Arcade coloca mais um pra comer grama pela raiz, ou os heróis escapam e o Hopi Hari das trevas vai pelos ares. Quem disse que não é divertido ser mentalmente instável?
O Clube do Inferno
O Clube do Inferno é uma sociedade de magnatas influentes, excêntricos e com mais dinheiro do que imaginação é capaz formular maneiras de gastar. Confraternizados pelos prazeres mundanos de uma vida hedonista, secretamente o Círculo Interno se dedica a manipular a política e economia mundial, após tentativas infrutíferas de sucesso no meio musical. Uma das curiosidades do Clube do Inferno era a hierarquia de acordo com as peças de xadrez (Rei Branco, Rei Negro, Rainha Branca, Rainha Negra e afins). Porém, o xadrez do Clube é jogado com meia dúzia de peças, igual ao Ludo, porque várias posições estão sempre vazias e em algum momento alguém chegou ao cúmulo de considerar peças cinzas.
A formação mudou várias vezes com o passar das gerações, como era esperado, alternando astros mutantes de primeira grandeza, como Magneto (sempre ele) e figurantes mais desconhecidos que os de Caminhos do Coração (pelo menos são mutunas, se é que isso importa). Eventualmente, os membros mais proeminentes tornaram-se vilões em carreira solo, mas é sempre bom lembrar as origens (não tão) humildes e a vida (nada) sofrida de antigamente.
Selene
Selene Gallio, outrora e volta e meia novamente a Rainha Negra do Clube do Inferno, é mais uma das pobres coitadas que foram tão abusadas pelos escritores que hoje em dia é praticamente impossível fazer um resumo da vida da moça sem o auxílio de drogas psicotrópicas pesadas. Os poderes da donzela também já foram virados do avesso mais vezes que cueca de hippie, mas via de regra, Selene é conhecida por drenar a essência vital alheia para manter-se eternamente jovem, algo como um Vampiro Psíquico Mutuna Highlander.
Sebastian Shaw
O mais famoso Rei Negro do Clube do Inferno tem uma biografia um pouco mais linear e tediosa, com tramas aristocráticas, lutas por poder e terras e roupas com babados exagerados (+ Keira Knigthley ou Natalie Portman = filme de época completo). Apesar dos trejeitos finos e requintados, Sebastian é um executivo impiedoso, e um combatente corporal ferrenho, capaz de absorver quantidades enormes de energia cinética (socos, chutes, tiros, caminhões voando, prédios desabando, rinocerontes enfurecidos, nada que não seja rotineiro) e aumentar seus dotes físicos a níveis titânicos, no melhor estilo masoquista "bate que eu me apaixono".
Rainha Branca
Tecnicamente, a carta desta charmosa moça poderia ter sido criada com o nome original da personagem, como seus companheiros de chá descritos anteriormente. Entretanto, Emma Frost utilizou o uniforme (um eufemismo para botas, calcinha e soutien... e sim, é assim que se escreve, filho) de Rainha Branca por tanto tempo e com tanto entusiasmo que em certo ponto as duas tornaram-se uma só entidade.
Para quem ainda não teve o prazer de conhecer a senhorita Frost, ela já demonstrou toda a gama de poderes psíquicos em algum ponto de sua vida bandida. Para esta garota malvada, projeção astral e leitura de mentes são travessuras de estudantes inseguros. Invasão psiônica, sugestão hipnótica, possessão psicomotora, controle mental e toda variedade de coisas perturbadoras e antiéticas que os mutantes de respeito têm pouca coragem de fazer (ou muita vergonha de admitir), Emma pratica com desapego transcendental.
De bônus esta semana, uma página só de Sentinelas para facilitar a construção de decks temáticos.
E na próxima matéria, os expoentes... máximos... da... crueldade... mutante!!! OMG!!!!!
terça-feira, 9 de março de 2010
J. M. Melinski Jr.
Autor de X-Men Set (XMS) e primo distante do Papai Noel.
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